Aelita Andre

Aelita Andre tornou-se famosa ano passado, quando sua mãe enviou para o Street Gallery de Melbourne, segunda melhor galeria de arte australiana, as obras da menina. Mark Jamieson, diretor do lugar, adorou o trabalho de Aelita e o incluiu em uma mostra juntamente com outras artitas, inclusive a mãe de Aelita. Até aí, tudo bem. A grande novidade dessa história é que…

Aelita tem hoje três anos, não, você não leu errado, apenas três anos de idade!

Depois de um ano de sua primeira exposição, avaliada entre US$ 250 e US$ 1,5 mil, a menina é considerada um prodígio da arte abstrata mundial e já vendeu quadros por cerca de US$ 26 mil (equivalente a R$45 mil).

Tudo isso é muito lindo, mas me sinto na obrigação de ser advogada do diabo aqui. Concordo que as obras de Aelita tem cores fortes e são até muito bonitas, mas será que a arte abstrata não está sendo usada como desculpa de arte ? Não me levem à mal, eu gosto de arte abstrata, mas acho que muita gente de má fé a usa como desculpa para dizer que faz alguma arte, como no caso daquele macaco da novela da Globo. Não estou dizendo que é o caso da menina, mas o nosso conceito de arte hoje pode ser feito até mesmo por uma menina de TRÊS anos, que pode sim ser talentosa, mas não tem bagagem nenhuma de vida e com toda certeza não sabe o que está fazendo, o que está querendo representar. Ela está simplesmente jogando as cores lá como qualquer outra criança faz e faria.
Lembro-me que quando eu estava na primeira série a professora sempre nos dava trabalho de pintura e desenho e uma amiga minha fazia desenhos estranhos que não representavam nada e pareciam um monte de coisas jogadas. Na época, a professora chamou a mãe da menina e disse que achava que ela estava com problemas, que era melhor ela procurar um psicológo. Hoje ela seria considerada uma gênia do abstracionismo, pode ?
Não posso negar que achei bonito o quadro da menina (esse que eu postei), mas chega a ser leviano com os vanguarditas europeus que fizeram isso como um protesto contra a arte renascentista, chamar a “arte” da menina de abstrata. Pode ser que da aqui uns anos ela estude sobre o assunto e realmente se torne uma artista abstrata, mas hoje não passa de uma criança jogando cores numa tela de uma forma bem harmônica, é verdade.

Obs: Vendo quadros abstratos. Por R$1.000, 00 a gente já entra em acordo ;]

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12 Respostas to “Aelita Andre”

  1. Vejam os meus quadros, são muito bons também!
    Adorem-os!!

  2. Acho que Aelita é muito talentosa, concordo com você que ela ainda não tem não bagagem suficiente,até porque não tem idade para tanto. Pelo que entendi, a mãe que é artista procurou o diretor da Street Gallery e não revelou a idade da menina, o trabalho dela foi o que impressionou o diretor.
    Gostei do que vi; a diferença é que na Austrália as pessoas valorizam a arte, aqui no Brasil existe uma riqueza cultural muito grande, o problema é que os nossos meios de comunicação preferem investir em programas fúteis de péssimo conteúdo e não existe interesse algum em divulgar os nossos talentos. Onde anda a nossa boa música, os nossos brilhantes cantores?
    No Brasil o grande movimento cultural foi a semana de 22 (semana de arte moderna) que foi um grande acontecimento com certeza, depois disso não aconteceu nada de tão marcante.
    Recebi recentemente um email do Ilmº. Sr. João Cândido Portinari, filho do extraordinário pintor Portinari, falando sobre a grande obra prima “Guerra e Paz” instalada na sede da ONU que vai passar uma temporada no Rio de Janeiro até 2013, A revista Veja Rio foi que divulgou.
    Precisamos pensar um pouco mais sobre isso.

    • mariboaretto Says:

      Oi Edmilson, não posso discordar de você, como já tinha dito anteriormente no post até, acho a garota talentosa, mas não consigo deixar de me perguntar até que ponto rabiscos são considerados arte abstrata por algum gênio da moda e isso torna-se suficiente para o artista torna-se famoso. E diga se de passsagem, acho e espero, que Aelita tenha um futuro brilhante no mundo da arte.
      Quanto suas críticas à respeito da valorização da arte no Brasil obviamente concordo com você, mas acho que não é só aqui que isso acontece. No mundo todo é assim e na minha opinião essa discussão vai muito além dos meios de comunicação: tem relação com a política, com a educação, com costumes… enfim aquela bola de neve!

  3. […] Aelita Andre abril, 20104 comentários […]

  4. Por ai... Says:

    Bem, sei q estou atrasado um ano, mas qro deixar meu comentario. Entendo e até acho q a discussão do que pode ser considerado arte é válida, mas discordo quando diz que o que a menina faz é um amontoado de cores que apenas passam certa harmonia. Primeiro pq a menina, embora com três anos (agora 4 né), tem capacidade mto maior de apreender e de compreeder o q a cerca, pois esta evidente q ela possui altas habilidades/superdotação. Não digo q ela não seja uma criança, mas não se pode dizer que ela não entende o que faz, pq no fim ela faz por algum motivo. Até sua amiga fazia. A arte abstrata, a arte em si, na verdade, expressa o q esta sendo sentido (pensando) no momento, e quem a ve, vai percebe-la a sua maneira, independentemente do que um crítico de arte possa discursar sobre. E hj a arte abstrata não tem mais esse viés de “contracultura”, acredito. Mas mesmo que tiver, vejo arte no q ela faz, independente do rotulo. E pq a sua amiga não poderia ser considerada? Van gogh fracassou em tudo em sua época e só tempos dps foi considerado um gênio. Além d muitos outros não apenas na pintura. Tlvz a comparação gere críticas, mas o q qro dzer é q o q se pensa sobre o mundo depende de mtas variaves, como a época e sua cultura. Hj em dia existe algo que se chama arte contemporânea. Q pelo q vejo é mais focado na conceituação do q no q se produz como arte, o algo concreto. Coloca-se um saco d areia em algum lugar, ou misture carne com a gordura do proprio corpo p/ se fazer almondegas, ou faça ovelhas com cabeça de telefone, disserta-se sobre o q aquilo significa e pronto.´Lá esta a arte. Sinceramente, n vejo arte nisso. O problema é q do mesmo jeito q a sociedade supervaloriza, ela tb abandoda, exclui tão rápido quanto. Concordo q ela deve ser tratada como uma criança e não como um adulto em miniatura e tb não supervaloriza-la, mas pra mim o q ela faz é arte. Prefiro mil vezes uma menina de 4 anos fazendo arte “abstrata”, do que um adulto fazendo arte contemporânea.

    • mariboaretto Says:

      Olá! Obrigada pelo seu comentário e saiba que você não está atrasado, não. Conversei essa semana com um colega de trabalho sobre a Aelita devido a essa última notícia sobre ela: http://mtv.uol.com.br/memo/artista-de-4-anos-pinta-o-sete-e-vende-quadros-a-us-10-mil-em-nova-york
      Nesse link você encontrará um vídeo de 11 minutos mostrando o “processo criativo” da menina. E esse é o meu ponto, ela é só uma criança! Não digo que ela não tenha dom ou que as “obras” não sejam harmoniosas, MAS é nítido que ela é só uma criança com pais artistas, donos de galeria e ricos. Ela cria assim como a minha amiga criava, como eu criava e como todas as crianças com tinta na mão. A diferença é que ela tem um ateliê enorme, milhões de tintas e telas previamente preparadas e não um sulfite com lápis de cor e giz de cera.
      Não me entenda mal, espero que ela seja um dia uma artista, mas hoje ela não é. E, particularmente, acho um absurdo os pais dela tirarem proveito disso, do que era para ser um momento de diversão para a menina e não um trabalho. Ela ainda nem sabe falar, gente. Acho um desrespeito com a criança, com a arte abstrata (que há muito vem sendo banalizada e sendo motivo para qualquer risco em um papel) e , principalmente, para com os artistas que estudam anos e anos para desenvolver seu dom.

      • Por ai... Says:

        Já tinha visto, dps acabei encontrando seu blog qndo procurei mais sobre.
        Entendo seu argumento, mas não sei até q ponto é desrespeito ou não esses pontos q frisou.
        Bem… talvez ela não seja mesmo ainda uma “artista”, com toda a propriedade q o termo carrega. Mas acho q arte, d forma mais ampla, independe disso. No fim, sem querer qrendo, ela faz arte. =]

  5. A arte abstracta não é “aquilo que se sente no momento”, bem pelo contrário. A maior parte das obras dos grandes artistas abstractos dos anos 20 demoravam anos a serem feitos, e tinham muito estudo de cor, composição etc. por trás. Só mesmo o Pollock (que sinceramente não aprecio minimamente) é que esborratava tinta na tela. Agora comparar os rabiscos e colagens foleiras de estrelinhas do mar da A. Andre com o geometrismo de Picasso ou até mesmo com o génio de Mondrian acho não apenas ridículo, mas ofensivo para qualquer artista sério. Havia não apenas uma sólida formação técnica por trás, mas principalmente um aparelho teórico e conceptual que sustentava e maioritariamente valoriza a arte abstracta.
    Mais ofensivo ainda que essas obras sejam vendidas por milhares de dólares.
    Por outro lado, aparentemente, o valor das obras é completamente relativo: é porque a menina tem 4, 2, 3 anos, o que for, e não pela própria obra.
    Por outro lado, como vários críticos de arte fizeram notar, muitas das obras dessa menina têm claramente a mão dos pais (também artistas plásticos), e não me admira nada que, notando realmente o entusiasmo e interesse da menina na pintura (que de facto é invulgar e de louvar numa idade tão tenra), se aproveitassem dela para fazer dinheiro – que provavelmente não conseguiriam fazer com o trabalho deles.

    A verdade é que a arte hoje em dia é como qualquer negócio: e estas coisas insólitas é que valem dinheiro. É tal e qual como o Macaco da telenovela. Pode ser que daqui a uns anos (e se calhar mais cedo), vejamos aí um chimpazé a vender “arte abstracta” por milhões de dólares.

    • Por ai... Says:

      Quando me referi a arte abstrata (e a arte como um todo) como “aquilo que se sente no momento” apenas quis dzer q é algo q se faz a partir do q se sente, do q o pintor esta sentindo, pensando na hora de pintar, e isso independe se ele demora anos ou um dia.
      Tentar comparar com Picasso, a arte desses pintores, n tem discussão, é bem diferente. Mas por ela produzir, invitavelmente, algo abstrato, denominar como arte abstrata é um caminho natural, embora possa confundir. Há artes abstratas e artes abstratas. E talvez mereça outro rótulo.

      Agora, revendo o q escrevi na primeira postagem, acho q posso ter exagerado com relação a “evidente altas habilidades”. Talvez ela seja mesmo e isso a faça compreender mais facilmente ou tlvz seja apenas os pais artistas por tras, ou quem sabe as duas coisas. Não se pode ter mesmo certeza, ja que o que temos são apenas reportagens e o próprio conceito de superdotação ainda é um tanto confuso. Concordo, como já disse anteriormente, q o q ela faz n deve ser supervalorizado, levando em consideração q ela, no fim, é uma criança.

      Só acho q não se deve cair no erro de ignorar um artista simplesmente pq ele nao possui tal arcabouço teórico (não falo exatamente da menina), sem querer dizer com isso, que se deva aceitar tudo como arte.

  6. Gabriel (outro) Says:

    Cara, minha opinião é essa e ferre-se vou falar mesmo assim. Pra mim isso não é talento coisa nenhuma, é marketing. Só valorizo arte quando precisa de habilidade, técnica, treino e bastante suor para conseguir. Vi uma exposição onde o cara fez 3 riscos em uma tela branca e vendia por 3 mil reais, sinceramente eu consigo fazer esses riscos da mesma forma que consigo fazer, e já fiz, o que ela fez (na escola quando aprendemos sobre abstração). Eu achei uma estupidez sem fim o trabalho dela e as outras obras abstratas. Como o autor disse (desculpe se interpretei errado) acho que a “arte abstrata” é a prova da decadência da arte. Imagine um concerto de piano onde a pessoa toca um monte de notas aleatórias, sem sentido algum, isso é considerado arte? Pra mim não é, e tampouco “arte” abstrata. Marketing e pseudo-intelectuais fizeram a fama dessa garotinha, que de gênial não tem nada.

    • mariboaretto Says:

      Olá Gabriel!
      Concordo com você no ponto que a arte da Aelita está mais para marketing do que para arte abstrata. E nem podemos culpá-la, né ? Afinal, ela tem apenas 4 anos.

      Quanto a arte abstrata no geral, não acho que ela seja “uma decadência da arte” e peço desculpas se dei a entender isso no texto. O que eu acho é que a arte abstrata é usada com desculpa de arte por mutos artistas. Gente que não tem talento, ou está sem criatividade no momento e joga numa tela quaisquer elementos e chama de arte. O que é um desrespeito com a história da arte abstrata e seu caráter revolucionário perante à arte.

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